Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O político em cada um de nós

Muitas pessoas dizem que não gostam de Política, que não entendem a Política e que não precisam de Política. Bom, nós podemos não gostar e podemos não entender a Política, mas não podemos prescindir dela. Demonstrar isso é o objetivo desse texto.

Nós humanos somos seres gregários, só conseguimos viver em grupos. O grupo mais básico e fundamental da sociedade é a família. Nesse grupo essencial há geralmente uma autoridade, o pai ou a mãe, que toma as decisões nos assuntos de interesse do coletivo, podendo dar mais ou menos espaço para a participação de outros membros da família na formação dessas decisões. Assim, cada membro toma as decisões sobre seus assuntos particulares no dia a dia, mas o chefe ou representante é que dá a palavra final nos assuntos do coletivo.

Expandindo o grupo, temos a agregação de várias famílias formando uma comunidade. Aqui podemos ter uma pequena aldeia ou uma vila, mas quero pegar o exemplo de um condomínio. Várias famílias habitam num espaço delimitado, que contém áreas individuais de cada família e áreas de uso comum. As relações políticas aqui já são intensas. Tanto dentro de cada família, quanto a relação entre as famílias na comunidade do condomínio. Vamos ver:

Os assuntos de interesse coletivo dessa pequena comunidade precisam ser tocados de alguma maneira. Por mais inovadora que ela seja, logo ficará claro que se não se organizarem e delegarem a alguém a responsabilidade de cuidar dos pequenos reparos que se façam necessários, pagar as contas dos serviços públicos, cuidar da limpeza das áreas comuns, o caos se instalará e a convivência naquele espaço se inviabilizará ou se tornará muito difícil.

Então o que faz o condomínio? Convoca uma assembleia onde um representante de cada família vota (Poder Legislativo) para designar um Síndico (Poder Executivo) que ficará responsável pela administração do dia a dia do condomínio dentro de um limite orçamentário e regras estabelecidas pela assembleia. Então, nesse ambiente a política está presente desde o início e é indispensável para resolver os problemas da coletividade.

Desse modo, gostando ou não gostando, entendendo ou não entendendo de Política, não se pode prescindir dela para possibilitar a vida em sociedade.Claro que no nosso exemplo do condomínio a proximidade e o controle exercido pelos condôminos (cidadãos) é muito mais próximo e efetivo.

Numa comunidade ampliada, como uma cidade, um estado e um país, a complexidade da administração é cada vez maior, em comparação com o nosso condomínio. Aqui a Política tende a se profissionalizar e a capacidade de controle dos cidadãos vai ficando cada vez mais indireta e distante, mas os fundamentos são os mesmos e a Política é mais indispensável do que nunca.

Lembre-se, esbravejar que Político não presta e que a política é um ninho de ladrões só expõe o quão pobre é o seu entendimento da vida em comunidade. Se você não participa e não quer entender quem são os candidatos a representar você na Prefeitura ou no Senado, por exemplo, saiba que outros se interessarão e participarão e elegerão aqueles que melhor representem os interesses deles, os que se interessam e participam. Igualzinho ao que acontece no seu condomínio.


domingo, 11 de março de 2018

Cenário nebuloso na Política num ano eleitoral

Estamos em Março de um ano em que teremos eleições federais e estaduais e o cenário, que a esta altura já deveria mostrar algumas tendências claras, hoje não poderia ser mais incerto.
Que tipo de parlamento teremos, nesses tempos de políticos processados e presos em larga escala? Um parlamento capaz de repor a Democracia nos trilhos e com a coragem de enfrentar os abusos dos concursados do sistema policial-judicial, que se acham os verdadeiros detentores do poder no Brasil? Nada há no debate atual que possa nos levar a prever que tipo de Poder Legislativo teremos.
E a eleição presidencial, que opções de escolha o eleitor terá à sua disposição. Vejamos os destaques do cardápio de hoje, quando faltam cerca de 7 meses para o primeiro turno: Bolsonaro, Alckmin, Ciro, Marina. A única escolha minimamente racional, Alckmin, vem representando um partido absolutamente dividido, covarde e desleal. Suas chances de empolgar o eleitorado, mesmo devido à falta de opções, parecem pequenas. Todas as outras possibilidades parecem absolutamente desastrosas.
O candidato para representar a continuidade do governo de reconstrução e de retomada do desenvolvimento que Michel Temer comanda ainda não surgiu. Há tempo para os alinhamentos políticos e das preferências do eleitorado, refletidas em pesquisas eleitorais, para permitir ao próprio Temer ou alguém do seu grupo se viabilizar?
Ainda não descarto a candidatura de Temer, que estou prevendo há tempos ver exemplo, mas o tempo está se esgotando e as dificuldades são muitas. Por um lado há o esforço evidente de membros da PF, Procuradores e alguns ministros do STF para manter um fluxo regular de factoides espetaculares para a imprensa de modo a mantê-lo pressionado e na defensiva, por outro, o mainstream midiático o trata com evidente má vontade e finge não perceber nem as virtudes evidentes de seu governo nem a sua óbvia aptidão a ser o candidato para a continuidade (Fingem não ver que ele tem as condições formais, pelo menos). Veremos o que será possível em termos de candidatura da continuidade.
A chance do eleitorado ter que escolher a candidatura menos desastrosa dentre somente péssimas opções é muito grande . Pobre Brasil, pobres dos pobres brasileiros, que serão, como sempre, as maiores vítimas das estripulias e cabeçadas de sua elite.

sábado, 1 de julho de 2017

Radical: quando o remédio envenena

Num post anterior eu argumentei que o radical é um elemento necessário na política. É isso mesmo, mas normalmente os radicais são minoritários e, embora consigam fazer suas pautas aparecerem e influenciar no avanço das sociedades, eles tem muito pouco poder, do ponto de vista governamental.
Ocorre que às vezes, sob condições de crises severas, com o advento de algum líder excepcionalmente carismático e bom de comunicação, uma facção radical acaba por tomar o poder político.
Não tem erro. Toda vez que isso acontece milhares ou milhões perdem as vidas. O radical quer impor suas ideias, quem não aceita é sabotador, é traidor, é insuportável.
Po isso toda sociedade saudável tem que saber reconhecer seus radicias, garantir e delimitar seu espaço de atuação e tomar as medidas necessárias para vedar terminantemente seu acesso ao poder político central.

Radical: um elemento necessário numa sociedade saudável

A Política é a maneira que a humanidade encontrou para viabilizar o convivio das pessoas em comunidade, sem a necessidade de cada um carregar consigo uma borduna ou um tacape ou uma espada, para resolver as disputas que surgem no dia a dia.
A política, no sentido de governo, é praticada por pessoas hábeis na arte da negociação, na aparação de arestas e cantos vivos nas relações sociais, de modo a fazer o convivio das pessoas no mesmo espaço possível.
Ocorre que a habilidade política e a predisposição a evitar conflitos, no extremo, tende a ser uma coisa demasiadamenge avessa à contestação e ao confronto. Ainda que às vezes isso seja necessário e justificável.
Nesse contexto surge o radical como uma figura indispensável. Ele não tem amortecedores nem sente nenhuma necessidade de aparar arestas ou cantos vivos. Só sabe distinguir se o que vê está conforme ou não conforme suas concepções. E a partir daí toma suas decisões e age.
O radical é, nessa minha versão benigna, o palhaço, que expõe as verdades mais cruas com uma piada; o bobo da corte, que não se constrange, em meio a muitos que fingem não ver, em gritar que o rei está pelado.
Nesse sentido, os radicais exercem um papel importante na política ao forçar a movimentação do staus quo. Seu inconformismo com determinadas situações ou condições da sociedade acaba influenciando profundamente a todos e provocando importantes inovações sociais.

Radical: a receita de um

Radical, radix, raiz, fundamento.
Pegue uma mente simples, tosca, obtusa, rombuda. Ela será violentamente aversa a complexidades, nuanças, sutilezas. Sua construção geralmente comporta apenas dualidades, dicotomias, bi-polaridades. A intolerância com o que desafia suas concepções de mundo é sua marca registrada.
Junte alguns "pré-conceitos" simplificadores de questões absolutamente complexas do nosso cotidiano como ética, moral, política e religião. Misture ambos num ambiente tenso de crise, sob influência de agitadores que sabem agitar essa mistura com a dose certa de energia e propaganda.
Pronto! Temos um radical prontinho. Muitos o conhecem também como fundamenlista.
Ele é uma força da natureza. Não tem nenhuma dúvida, só certezas.
Com os incentivos certos será capaz de matar um, dez, cem, milhões. Jamais terá um segundo de incerteza ou um ataque de consciência pesada.
O Brasil está cheio de gente se comportando de maneira radical no campo político, mas crê-se que um pouco de argumentação baseada na lei e na racionalidade retirará paulatinamente o apoio que os líderes tem recebido de uma massa de pesssoas que são na verdade apenas enganadas por falsos profetas.